Monday, September 15, 2008

"Evidências científicas" ou "opiniões vazias de pretensos especialistas" ? - Você quem decide !

É interessante como pesquisadores que falam muito da necessidade de "evidência científica" se referem à suposta falta dessa evidência só quando aborda trabalhos dos outros. O ilustríssimo Professor Hanushek é conhecido no mundo inteiro, tem escrito não sei quantos livros e artigos, e teria supervisado a formação de não sei quantos doutorandos que agora andam fazendo assessoria a não sei quantos governos, no mundo inteiro. Ele disse em entrevista publicada na revista Veja, edição 17 de setembro de 2008, que uns dos problemas da educação é que governos como o de Brasil "se perdem em opiniões vazias de pretensos especialistas." Suponhamos que quando menciona esses especialistas não esteja se referindo nem a ele e nem aos estudantes dele. O fato interessante é que ele é uma pessoa de fama, com títulos das universidades mais famosas em todo mundo como Stanford e MIT - é por isto que a Veja considerou as opiniões dele de importância para o leitor brasileiro. Será que a Veja pesquisou todos os investigadores de política educacional para saber quem deles "cientificamente" tem a maior probabilidade de informar melhor o público brasileiro? Não, o mundo não funciona assim, a Veja escolheu o ilustríssimo Professor Hanushek pelo seu nome, pela sua fama. Mas, como o Professor fala na entrevista da importância da meritocracia, eu convido o caro leitor para avaliar os argumentos dele pelo mérito.

A idéia principal de Professor Hanushek é de um pagamento diferenciado aos professores, pelo mérito enquanto medido pelo aumento no desempenho dos alunos entre o início e o final do ano. Ele critica que os professores lutam para melhorias no seu salário “porque é bom para eles.” Entretanto o Professor Hanushek - " os professores não se baseiam em nenhuma espécie de evidência científica de que a medida funcione em favor do ensino." A coisa que eu achei mais contraditório em todo o artigo é que ele não apresenta nenhuma evidência científica de que o pagamento pelo mérito funcione, que isto é a medida que possa levar à economia brasileira a crescer mais rápido. Na mesma entrevista, ele admite que essa medida sobre incentivos financeiros para os professores "nem nos Estados Unidos, país à frente nesse quesito, foi implantado." Então, de onde vem a tão comentada “evidência cientifica”?

Eu gostaria de parar aqui, e deixar o leitor decidir sobre o mérito de argumentos apresentados pelo Professor Hanushek, mas sempre achei que alguém que critica um pensamento de outro, precisa apresentar a sua idéia própria. Bom, como economista que sou, acredito no poder de mercado como o instrumento mais poderoso que o ser humano inventou para prover bens e serviços privados com eficiência. Mas, a educação é muito mais do que um produto feito numa fábrica, e a escola é muito mais do que uma empresa. Educação é um conjunto complexo de identidades, de conhecimentos, de raciocínio cognitivo, de valores de ética que esse mundo tanto precisa. Educação não se faz se não houver amor entre o professor e a criançada, se o professor não acreditar que todos os alunos possam aprender. Eu pediria ao Professor Hanushek uns três anos - para viver, no sertão de Ceará, ou numa favela no Rio, receber o salário que o professor hoje recebe , trabalhar no mundo real, e depois lhe perguntaria sobre o que é que ele acha do salário, e como é que ele conseguirá que os meninos se desempenhem tão bem com ele - eu até faria um “experimento científico” para ele - três anos com salário ligado ao desempenho dos alunos, e três anos com salário igual para todos - depois disso, eu acho que podemos falar com segurança sobre a diferença entre as opiniões e evidências.

Como não tenho título nem de Stanford nem de MIT, temo de expressar as minhas opiniões. Todavia gostaria de fazer só uma proposta de reflexão para o leitor. Acho que nós podemos aprender muito sobre o mundo da política educacional olhando para a natureza. O mundo é feito de sistemas vivos, e no processo de evolução aqueles que sobrevivem são aqueles melhor adaptados para enfrentar o entorno complexo. Este fenômeno deixa a gente pensar na importância da retro-alimentação - do "feedback". Os grandes pensadores da Economia, como Adam Smith e Joseph Schumpeter sabiam disso - que o mercado é nada mais que um sistema complexo de feedback. Não acredito (essa é minha opinião, não tenho evidência científica !)que pretender que a educação seja um produto de mercado vai dar algum resultado. Mas nada proíbe que o feedback funcione nos sistemas de ensino - de boas práticas, de superação de problemas cotidianas nos milhões de salas de aulas no país, de historias onde o amor e a vocação do professor vencem a violência e a desesperação com a pobreza. Nesse sentido, a política atual do Brasil de identificar a meta do IDEB para cada escola e município e estado do país parece ser uma política que pode dar certo - como preço no mercado, é um sinal de que as atividades estão funcionado ou não. Acho que os efeitos perversos da política de incentivos financeiros superarão qualquer efeito positivo que pode existir. Mas, quando cada professor, diretor, Secretária de Educação dedica tempo, energia e esforço para aprender e entender o seu entorno complexo, o que é que funciona bem ou o que não funciona, estaremos em bom caminho. E para todos nós, interessados no progresso de educação no Brasil, seja dentro ou fora do governo, vale lembrar a importância de levar conhecimentos das boas práticas que melhoram o ensino para um conhecimento mais geral, mais amplo da sociedade. É assim que o IDEB do Brasil vai continuar melhorando, e nós adultos poderemos sonhar em deixar o mundo melhor para as crianças de hoje que serão os adultos de manhã.

Sunday, June 15, 2008

I read the following article in the local English Language Newspaper on Sunday, the Buenos Aires Review, a supplement to the Buenos Aires Herald. I am not as well versed in the humanities as I would have liked to be, but I do recall pondering over a rhetorical question raised by the famous post-modern philosopher, Michel Foucault - "What is so astonishing about the fact that our prisons resemble our factories, schools, military bases, and hospitals-all of which in turn resemble prisons?" (see an interview with Foucault on this theme published in the New York Times in August, 1975). I think all human beings are by nature compassionate creatures, and perhaps some of us are more sensitive at certain junctures. Today's Buenos Aires Herald article brought tears to my eyes and a lump in my throat because I felt the pain of these mothers with children in jail, and because I felt sad for all human beings. Maybe the prison theme is salient in my mind, as I just read last week a thoroughly riveting story first published in 1948 called "The Tunnel" by Ernesto Sabato, the renowned Argentine author, about an Artist, Juan Pablo Castel, who is in prison because he had murdered the one person in the entire world who understood him, his would be lover, María Iribarne. How sad it is to think of the fragility of human life, how most of these women did something that they probably came to regret, but it is now too late. I think the journalist Marcela Valente has done a really great job of transmitting to the reader the poignant situation of the mothers behind bars.


Raising Children Behind Bars

LA PLATA, Argentina, Jun 12 (Credit: IPS - Marcela Valente) - Soledad Acevedo was an 18-year-old mother of two eking out a living by means of menial casual work in 2002 when she was sent to prison in the Argentina province of Buenos Aires, accused of armed robbery and attempted homicide. Now she is 24, and is excited as she meets with IPS in her cell.

She is happy because she has just been told that she is about to be placed under house arrest. It’s not exactly freedom, but until her appeal goes through, she will live at her sister’s house, with her nine-year-old daughter and seven-year-old son, who she was separated from when she was arrested, and with the daughter who has lived with her in prison since her birth in 2006....

She leaves the cell with just the clothes on her back. She runs down the corridor, laughing and crying at the same time, giving kisses and hugs to inmates who come to say good-bye, getting her special hair-do all messed up in the process. In a kind of farewell ritual, her block-mates slam the heavy iron doors of their cells over and over again, to make sure the entire prison knows that one in their midst is getting out.


See the full artcile at:

Raising Children Behind Bars, Marcela Valente, ISP

Saturday, June 14, 2008

Me encantó este cuento corto en "La Nación" de hoy - 14 de junio de 2008, Suplemento ADN Cultura. Es una historia que muestra la tenua relación que existe entre aquello que nosotros llamamos la realidad y aquello que percibimos. Como paso muchas horas viajando por el mundo en aviones de diferentes tipos, la historia tenía una atractivo especial para mi - uno encuentra seres humanos de una gran variedad ahí en el cielo, como por la tierra, por supuesto!

Cuento
El escritor mexicano narra las derivaciones insospechadas de un diálogo íntimo mantenido a bordo de un avión entre un hombre y su ocasional compañera de vuelo
LANACION.com ADN Cultura Sábado 14 de junio de 2008

Tuesday, May 20, 2008

Deficiencies, by Mario Quintana


Translated by Suhas Parandekar; Corrections are welcome, I use the feminine gender rather than spoiling the effect of this piece by saying ‘him/her’. A close friend of mine sent this poem to me and I also found it on the blog maintained by Luciana Cantanhede, which has a number of graphic elements and in general seems to be a very active and popular blog.

I would rather title this piece as:

"Definitions of Deficiency"

She who cannot change her life, passively accepting the impositions of the people around her or the society in which she lives, without being conscious of the fact that she is the maker of her own destiny – “Deficient”

She who cannot find happiness in what she already has – “Insane”

She who cannot see the person next to her dying of cold, of hunger, of misery, because she has eyes only for her pathetic problems and her minor aches – “Blind”

She who does not have time to hear the confidences of a friend, or a plea of a brother; Who is always pressured by her labours to guarantee the odd cents of her salary at the end of the month – “Deaf”

She who cannot speak what she feels and who hides behind a mask of hypocrisy – “Mute”

She who cannot walk in the direction of those who need her help – “Paralytic”

She who does not know how to be sweet – “Diabetic”

She who does not know how to let love grow by itself – “Dwarf”

And finally, the worst of all the deficiencies is to be miserable; since those who cannot speak with the Divine within them are “Miserable”

“Friendship is the name for a love that never dies.”

I take a sort of translator's poetic licence in altering slightly the last definition, about being miserable. I am sure the poet did not mean this to be a religious poem. And the reason why he put the last fragment at the end of all the deficiencies - a definition of friendship, I did not really understand, because surely friendship cannot be a deficiency. But I think to myself, if you understood everything, it would not be a poem now, would it?


DEFICIÊNCIAS – Mario Quintana

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre. "

Tuesday, January 1, 2008


On this first day of the new year, when many people take the opportunities for new beginnings, I am thinking of a personality with whom I had always been awed and impressed with since I was a child - Swami Vivekananda. In the famous poem "Archaïscher Torso Apollos" or "The Archaic Torso of Apollo" by the German Poet Rainier Maria Rilke, the last line is "Du mußt dein Leben ändern" - You must change your life! Swami Vivekananda's advice is one step further - he said that we can make the world to be good and pure only if we ourselves are good and pure - therefore he says, let us purify ourselves. "Let us make ourselves perfect." Reading the collected works of Swami Vivekananda is something I might get to do if I live to an old age, but until then, I have satisfied myself by reading his delectable small essays and speeches. One of the speeches that I like a lot is called "Work and it's Secret", available at http://en.wikisource.org/wiki/The_Complete_Works_of_Swami_Vivekananda/Volume_2/Work_and_its_Secret

Vivekananda speaks about the tremendous difficulty we face in escaping our lot as human beings, subject to desires which bring us suffering, and he says, break away from it - it will require superdivine strength, not just superhuman strength, but this is what you must do - "Du mußt dein Leben ändern".

"I know the difficulties. Tremendous they are, and ninety per cent of us become discouraged and lose heart, and in our turn, often become pessimists and cease to believe in sincerity, love, and all that is grand and noble. So, we find men who in the freshness of their lives have been forgiving, kind, simple, and guileless, become in old age lying masks of men. Their minds are a mass of intricacy. There may be a good deal of external policy, possibly. They are not hot-headed, they do not speak, but it would be better for them to do so; their hearts are dead and, therefore, they do not speak. They do not curse, not become angry; but it would be better for them to be able to be angry, a thousand times better, to be able to curse. They cannot. There is death in the heart, for cold hands have seized upon it, and it can no more act, even to utter a curse, even to use a harsh word.

All this we have to avoid: therefore I say, we require superdivine power. Superhuman power is not strong enough. Superdivine strength is the only way, the one way out. By it alone we can pass through all these intricacies, through these showers of miseries, unscathed. We may be cut to pieces, torn asunder, yet our hearts must grow nobler and nobler all the time."

- Swami Vivekananda, Speech delivered in Los Angeles, California, January 4, 1900

Sunday, December 30, 2007

नया साल २००८

आप सब को नव वर्ष की शुभकामनायें !

Saturday, November 24, 2007